Consequências

Acreditar em algo não é só acreditar em algo. Ou, como disse o Cortázar, abrir uma lata de sardinha não é abrir a mesma lata de sardinha até o infinito. Acreditar é também acreditar nas consequências lógicas - por definição? - do que se acredita.

Há, nesse planeta, gente que acreditava que os tais crop circles eram feitos por coisas de outras galáxias. Alguém, então, assumiu a autoria e o assunto - se já não antes - agora dava-se por encerrado, certo? Não tão rápido. Essa mesma gente passou a acreditar então que, senão todos, alguns dos crop circles eram feitos por coisas de outras galáxias.

Até aí, Inês rezou três pai-nossos, acendeu uma vela pra Iemanjá, conferiu o horóscopo do dia e foi morta. Amigos imaginários podem ouvir tudo, saber tudo, perdoar tudo. Porque não desenhar tudo? Se já chegamos até aqui...

O que dá medo, e que deveria ser um indício que devemos repensar essa nossa espécie atormentada é perceber as consequências. Que há gente que acredita que, em se havendo coisas em outros planetas que possuam espaçonaves e saiam boiando pelo espaço afora, o que elas provavelmente fariam seria viajar secretamente de planeta em planeta capinando círculos nas plantações.