Já era
Ver a cobertura das eleições presidenciais americanas na Folha ou no Estado é deprimente. "Pesquisa aponta vitória inédita de Obama". Tsc, tsc.
Há ao menos uma dezena de blogs com conteúdo melhor, mais interessante, mais atualizado e feito por gente que entende mais do assunto. Pra ficar num só exemplo, o FiveThirtyEight dá um banho em qualquer cobertura da mídia brasileira e é tocado por dois sujeitos que até pouco tempo faziam estatísticas de Baseball.
A eleição americana não é, necessariamente, um evento que interessa a todos do Brasil, o que poderia justificar a falta de cuidado dos jornais. Mas até aí, qual evento é? O Dalai-lama ser internado para exames de rotina? O Putin ganhar um filhote de tigre?
Quem nunca passou pela experiência de ler num jornal uma matéria sobre um assunto que você entende com certa profundidade e perceber que o jornalista foi impreciso, superficial ou estava completamente errado? O que diferencia essa matéria de todas as outras?
Ao virarem tradutores e diagramadores das agências de notícias (aliás, mal tradutores e diagramadores medíocres) os jornais abriram mão do jornalismo de verdade. Pensar dá trabalho e demora, é mais fácil escolher três idéias prontas e ir em frente. Além disso, a falta de critério nos filtros das matérias tornou a relação sinal/ruído péssima (quem tem tempo de ler 240 notícias por dia onde só 5 tem algum valor?).
O aumento da concorrência e a falta de uma visão ampla sobre o papel do jornal tem tudo para levar essa gente pro buraco. Os RSS Readers são - entre as pessoas a minha volta - o principal meio de acesso à informação. O resto é papo. E hoje em dia, ninguém mais tem tempo pra papo.


