As cores de Frida Kahlo
Eu não entendo. Essa semana, o Instituto Nacional de Bellas Artes do México confirmou que Frida Kahlo foi a pintora do retrato de Alejandro Gomes Arias em 1928. Okei.
Segundo o El País, o cientista do Instituto comprovou que a pintura foi mesmo realizada na decada de 20, usando como principal evidência o fato de o pigmento branco da pintura conter chumbo, que deixou de ser utilizado na pintura na década de 30. Okei.
Existiam evidências históricas que Frida haveria pintado um retrato de Arias. Eles estudaram juntos, ele salvou a vida dela, namoraram um pouco, ela escreveu um dia: "si puedes hacerte una bonita fotografía allá, me la mandas a ver si cuando esté un poco mejor hago tu retrato..." e a foto enviada já foi encontrada e parece um tanto com a pintura.
Poderia acontecer que esses fatores sejam irrelevantes, dado que as informações acima eram de conhecimento de público e poderiam ser utilizadas por um imitador para construir a sua versão de Alejandro. Okei.
Agora o que eu não entendo. Que diferença isso faz? O quadro é, no melhor humor, medíocre frente aos auto-retratos de Frida. Para a história tem também pouca importância, já que teria sido feito antes de Frida ser de fato uma pintora. Quase uma relíquia histórica travestida de erudição. Faria parte facilmente da exposição "rabiscos de pré-escola de pintores modernos". Rodapé de biografia, no máximo um daqueles filmes que estão em moda "uma história de amor contada através da história de um quadro". E considerando que o quadro tivesse qualquer importância em si, que diferença faria ser de Frida ou não?
Talvez esse não seja o melhor exemplo, mas as artes plásticas estão podres por dentro e por fora. Quantos braços tirados da lavoura! Aparentemente até os meus.


